terça-feira, 19 de março de 2013


Texto II - A questão da identidade coletiva nos conflitos árabe-israelenses

Ao analisar os conflitos percebemos que os dois grupos que se enfrentam, tem uma identidade coletiva marcante e bem diferente uma da outra, e que esse processo de formação de uma identidade coletiva está intrinsecamente ligado ao próprio conflito, ou seja, o conflito serviu como justificativa, como “mola propulsora” da afirmação dessas identidades coletivas, mas afinal o que é identidade coletiva?

Samuel Vilela, o autor do estudo “O papel da identidade coletiva e das questões político ideológicas no insucesso do processo de paz Israel-Palestina: uma abordagem psicossocial” que serviu de base para esse texto, define identidade coletiva da seguinte forma:

“A identidade coletiva envolve um conjunto de características centrais de um grupo, caracterizando-o e diferenciando-o dos demais. No caso de um povo ou nação, a interação social tem lugar num contexto cultural. A construção de significados compartilhados ou simbólicos tem por referência, a cultura de um grupo e está ligada ao pensamento coletivo, através da língua ou linguagem, das crenças coletivas, dos símbolos coletivos e das ideologias que se organizam em torno de determinados valores. Este contexto cultural consiste, portanto, num sistema de convicções, largamente aceitas pelo grupo e suposições, que são transmitidas de uma geração para a seguinte.”( VILELA,S.2011.p.19 )

Logo, podemos conceituar identidade coletiva por um sistema de convicções, símbolos, crenças e ideologias que são compartilhadas por um grupo, que caracterizam-no e o diferencia dos demais.

O conflito árabe-palestino é caracterizado pela existência de duas identidades coletivas marcantes e bem diferentes uma da outra, da identidade coletiva palestina, e da identidade coletiva israelense, e dentro de cada uma dessas identidades coletivas, a palestina e a israelense, existem vários grupos com diferentes linhas de ação (pacifistas ou violentas), que lutam pelo mesmo objetivo, ou seja, um território. Ambos os grupos se apropriam de discursos religiosos e nacionalistas para justificar seu direito a terra e sua ação política.

A identidade coletiva israelense contemporânea resulta de um longo processo de afirmação da religião judaica.

Desde muito cedo, que a religião foi um fator que permitiu diferenciar este povo dos demais povos vizinhos, o que, portanto, constitui a religião judaica como elemento primário no processo de formação dessa identidade coletiva. A identidade coletiva dos judeus, que durante um longo período de tempo, tendeu, a ser materializada enquanto uma religião, e não, enquanto nação encontrou no movimento sionista a sua primeira forma de se organizar e manifestar politicamente. O movimento sionista, que teve a sua origem na década de cinquenta do século XIX e tinha como premissa, o regresso dos judeus ao Sião, área que hoje equivale a Jerusalém e a criação de um Estado judaico, era essencialmente um movimento judaico-europeu. No entanto, convém ressalvar, que no território onde atualmente se encontra o Estado de Israel sempre existiu uma comunidade judaica, assim como sempre se registraram fluxos migratórios de regresso a esse território.” (VILELA,S.2011.p.23)

A identidade palestina, dos árabes que vivem na região de Jerusálem e adjacências, passa a se fortalecer em resposta a chegada de judeus a região, no intuito de demarcar as diferenças entre os dois povos e o discurso de proteção as suas terras. A terra, como espaço geográfico – encontra-se assim no centro da construção das identidades coletivas, tanto palestina, como israelense. Os israelenses e os palestinos, possuem o objetivo comum de conquistar e manter, um território e uma nação soberana independente.

Bibliografia:
CAMARGO, Cláudio. Guerras Árabe-Israelenses. In: MAGNOLI, Demétrio. História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2009

DUPAS, Gilberto et VIGEVANI, Tullo. Israel-Palestina: Construção da paz vista de uma perspectiva global. São Paulo: UNESP, 2002.

VILELA, Samuel João Caetano. O papel da identidade coletiva e das questões político ideológicas no insucesso do processo de paz Israel-Palestina: uma abordagem psicossocial. Dissertação de Mestrado. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2011.

            SALEM, Helena. O que é questão palestina? São Paulo: Brasiliense, 1991.

            SHLAIM, Avi. A muralha de ferro: Israel e o mundo árabe. Rio de Janeiro: Fissus, 2004.

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